Cirurgia ortopédica: a evolução da tecnologia ao longo dos anos

08, 2022 | Tempo de leitura: 5 minutes | escrito por Willtek

Quando falamos sobre saúde, podemos dizer que a tecnologia tem ajudado muito ao longo dos anos. Hoje, já temos equipamentos de ponta, especialidades médicas para tratar diferentes casos e até cirurgias robóticas, mas nem sempre foi assim. 

O processo para chegar até aqui levou muitos anos e envolveu diversos profissionais de áreas diferentes que se esforçaram para produzir avanços que pudessem salvar vidas. Neste artigo, você poderá conhecer um pouco da história da ortopedia, além de tecnologias atuais que estão sendo implementadas. Venha conosco!

O início da Ortopedia

Pesquisas arqueológicas já revelaram múmias com talas de bambu, cana, madeira e tecidos no Egito Antigo – a. C. Em 2830 A.C. na tumba de Hirkouf, foi feita uma escultura que usava muletas.

Também foram encontradas próteses para a substituição de extremidades amputadas. Elas eram esculpidas em madeira e simulavam o membro amputado.

Na Grécia Antiga, Hipócrates descreveu diversas manobras para redução de luxações e tratamento de fraturas, sendo que algumas variações de seus métodos são empregadas até hoje. 

No Império Romano, Galeno de Pérgamo (129 d.C. – 199 d.C. ?) detalhou a anatomia do corpo humano, incluindo o esqueleto, os músculos e suas funções. Depois da queda do império romano, os árabes criaram o “Gesso de Paris”, com água e sulfato de cálcio desidratado. Apesar de ter se popularizado no século X, foi o persa Abu Mansur Muwaffak quem descreveu a cobertura de gesso para fraturas e traumas ósseos, anos depois do incêndio da biblioteca de Alexandria. Já as ataduras de gesso foram criadas por Antonius Mathysen (1805-1878), cirurgião militar holandês, em 1851.

Etimologia do termo “Ortopedia” e o “pai da ortopedia”

Já o termo “ortopedia” foi criado em 1741 por Nicolas Andry de Boisregard (1658-1742), médico francês, que o citou em sua publicação “Ortopedia, ou a Arte de Corrigir e Prevenir Deformidades em Crianças”. Ele é derivado dos termos gregos “orthos” (reto) e “paidion (criança)”.

No início, essa especialidade tinha como foco tratar as deformidades da coluna e dos ossos infantis. Seu livro tinha a ilustração de uma árvore com um tronco reto, conhecida hoje como a Árvore de Andry, o símbolo da Ortopedia.

A publicação, na verdade, não era um texto médico, mas sim um guia para os pais, apresentando técnicas para correção postural e exercícios de fortalecimento para as crianças. 

Andry é considerado o “pai da ortopedia”, mas o título é questionado, principalmente porque o também francês Jean-André Venel (1740-1791) foi o responsável por construir a primeira escola ortopédica, o Instituto Ortopédico, em Orbe, para corrigir deformidades em crianças.

Sendo assim, no início, a ortopedia se dedicava a correção de deformidades do aparelho musculoesquelético. Somente depois é que o “trauma” foi adicionado e a especialidade passou a se chamar Ortopedia e Traumatologia.

Percival Pott e sua contribuição para a ortopedia

Não temos como falar da história da ortopedia sem citar Percivall Pott (1714-1788). O cirurgião inglês é conhecido como um dos fundadores da ortopedia. Em 1756 ele quebrou a perna ao cair de um cavalo e, na época, o tratamento para o que ele teve (uma fratura composta oblíqua do terço distal da tíbia) era a amputação – na época ela tinha um alto índice de falha e costumava a levar a sepse e morte.

Primeiro, Pott solicitou que fosse socorrido com uma estrutura sólida para evitar que a situação piorasse na carruagem. Além disso, ele convenceu os médicos a realizar outro tratamento, que era a imobilização da perna, até que ele se recuperasse. Em 1769, ele publicou o livro “Algumas Observações sobre Fraturas e Luxações” e também ficou conhecido como o primeiro a descrever a tuberculose artrítica da coluna vertebral (doença de Pott).

Técnicas de imobilização  e controle de inflamações

Um aluno de Pott, John Hunter (1737-1821), trabalhou no exército e desenvolveu técnicas como a imobilização e também o controle de inflamações de doenças e traumas articulares. Ele também estudou temas como consolidação de fraturas e descreveu a transformação do hematoma da fratura em calo fibrocartilaginoso.

Depois, no século XIX, o britânico Hugh Owen Thomas (1834-1891) inventou diversos equipamentos que serviriam para ajudar a área médica, como é o caso da férula de Thomas. Ele também foi o primeiro a reconhecer os sinais precoces de patologias articulares no quadril.

Anestesia

A anestesia geral foi inventada em 1846, nos Estados Unidos, quando o dentista americano Thomas Green Morton, pela primeira vez, usou o éter para realizar uma cirurgia. Ele fez isso no anfiteatro cirúrgico do Massachusetts General Hospital, apresentando sua criação: o aparelho inalador de éter. 

O paciente foi Gilbert Abbot, de 17 anos, que tinha um tumor no pescoço. A cirurgia foi realizada pelo cirurgião John Collins Warren, junto com Thomas Green Morton, e foi considerada um sucesso.

Cirurgia Asséptica

Joseph Lister (1827-1912) era um médico, cirurgião e pesquisador britânico. Ele foi o primeiro a investigar a alta incidência de mortes causadas por infecção em pacientes amputados e achava que era por algum elemento estranho no sangue que causava putrefação nas incisões cirúrgicas. Ele encontrou confirmação nos estudos de Pasteur, que falava sobre as relações entre os microrganismos e os processos de fermentação.

No início, ele acreditava que os micróbios estavam sendo transmitidos pelo ar. Por isso, tentou criar uma desinfecção do campo operatório, por meio da vaporização de ácido carbólico (ácido fênico) no local em que seria realizada a cirurgia.

Após o aperfeiçoamento da técnica, ele descreveu os resultados de suas experiências em artigos publicados em 1867, dando início a medicina anti-séptica, que reduziu o número de mortes por infecções pós-operatórias drasticamente. 

Exames de raio-x

Um grande marco para a ortopedia foi a descoberta dos exames de raio-X, em 1895, pelo físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen. O procedimento possibilitou maior precisão para as avaliações e também a eficiência na recuperação, afinal, podia-se ter uma visão do interior dos pacientes. No Brasil, a primeira radiografia foi realizada em 1896.

Criações dos períodos pós-guerra

A necessidade pela evolução chegou juntamente com as guerras. Na Primeira Guerra Mundial surgiu a goteira de Thomas para o controle das hemorragias, além da remoção de tecidos desvitalizados e corpos estranhos das feridas. Na Segunda Guerra Mundial, já existia a penicilina, antibiótico introduzido por Alexander Flemming em 1928. 

O uso da haste intramedular, criação do alemão Gerhard Kuntscher, permitiu que os soldados conseguissem voltar mais rapidamente para o campo de batalha.

Inovações na ortopedia

Muito se evoluiu daqueles tempos até hoje. Já temos a espuma viscoelástica para diversos usos, como as próteses para membros amputados e travesseiros para prevenir problemas de coluna. 

Também podemos citar os materiais biocompatíveis que não apresentam as reações de corpo estranho, os avanços nos estudos biomecânicos e clínicos nas artroplastias, os transplantes ósseos, o uso de células tronco e, até mesmo, o treinamento dos médicos residentes e aperfeiçoamento de médicos especialistas usando a realidade virtual.

Hoje, já são utilizadas impressoras 3D para realizar a cirurgia em modelos impressos em tamanho real, podendo antecipar as possíveis dificuldades no ato operatório. As impressoras 3D também permitem a impressão de dispositivos específicos de acordo com a anatomia do paciente.

As cirurgias robóticas também já são uma realidade e, apesar de necessitar de um tempo extra para o processo de aprendizagem, elas entregam muitas vantagens para os pacientes e também para os profissionais. 

Ao usar os robôs, os cirurgiões ortopédicos conseguem alcançar uma precisão maior, realizar uma cirurgia mais segura e ainda obter melhores resultados pós-operatórios. É uma inovação que está se popularizando cada vez mais.

Os equipamentos também são aprimorados constantemente. Hoje, já temos mesas cirúrgicas especializadas que possibilitam a realização de procedimentos com maior facilidade e eficiência, como é o caso da mesa Hana®.

Essa mesa para cirurgia ortopédica foi criada pela Mizuho OSI, e é ideal para a abordagem anterior à cirurgia do quadril e fraturas de membros inferiores. Recentemente, nós realizamos a implementação dessa mesa no Hospital Albert Einstein

Quer saber mais sobre as mesas cirúrgicas especializadas? Confira nosso artigo completo sobre o tema!

Fontes:

https://www.ortopediajf.com/historia-ortopedia.html

https://medicinadoquadril.com.br/site/a-historia-da-ortopedia-e-da-cirurgia-do-quadril/

https://www.blogs.unicamp.br/femurdistal/2017/08/16/ortopedia-arte-e-ciencia-de-corrigir-deformidades/

https://www.lech.med.br/sala-de-imprensa/179

https://pt.wikipedia.org/wiki/Percivall_Pott

https://portalhospitaisbrasil.com.br/artigo-a-evolucao-da-cirurgia-ortopedica-com-a-chegada-da-robotica/

https://cirurgiadoquadrildrdaniel.com.br/blog/historia-da-ortopedia-e-traumatologia/

https://www.einstein.br/noticias/noticia/cirurgias-ortopedicas-tecnologia-ponta-medicos-especializados-realizar-todo-tipo-procedimento

https://www.scielo.br/j/jbpml/a/qFVPBJcBwNtSqQrLcyDs37n/?lang=pt

https://www.spr.org.br/a-spr/historia-da-radiologia

https://traumatologiaeortopedia.com.br/informe/historia-da-traumatologia-e-ortopedia/

https://www.hportugues.com.br/2020/09/avancos-e-tecnologias-em-ortopedia/

https://mittechreview.com.br/ortopedia-deixa-a-era-do-gesso-e-chega-ao-metaverso/